Tu trazes nos teus bíblicos amores
A carne espiritual das virgens puras.
Vagas ilusões das delicadas formas,
Exalam dos teus lábios tal incenso;
Num delírio santo, puro, imenso,
Transcende as humanas leis e normas.
Acordes de um fado dolente e místico,
Soluçam na penumbra e das naves;
Subindo os teus salmos tão suaves,
Para o altar de um sonho cabalístico.
Tua graça de deusa, imaculada,
Fecunda a alma em dores e harmonias;
Nos seios níveos, em pranto e elegias,
Na pompa de uma luz agonizada.
Cândida rosa, essência inaudita,
Que no silêncio do infinito brilha!
Tu és um afago, musa e maravilha,
Que na agonia do meu verso habita.
Ah! Que os segredos destas flores santas
Perfumes fundam na alma alucinada!
E a noite estenda a túnica sagrada
Nas cordas de ouro das canções que cantas.
Em lírios brancos teu porvir expressa,
No altar do céu, em místico concerto;
E o meu soluço, na penumbra verto,
Clamando em cinza imortal promessa!
Um poema excelente. Gostei imenso.
ResponderExcluirA Rosa deve ter gostado... O Lírio talvez não...
Boa semana.
Um abraço.