Vós, que ergueis na pedra o vosso grito,
E em cada arco que o clamor evoca;
É nesta agulha que ao céu lhe toca;
Pois ela é a prece de um mundo aflito.
O tempo é a mão que a matéria corta,
E nós, os mármores que o divino acaba
Nesta nave que o silêncio fala,
E a voz que do céu que a alma exorta.
Deixai o claustro, a névoa e a heresia,
Vinde, que o pó traz a eternidade,
Na catedral de nossa elegia.
Não vedes a luz sob a cinza fria?
Ela é o aforismo da fragilidade,
Que brilha na sombra d'agonia.
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