domingo, 31 de maio de 2026

Ode à Rosa

Oh, Sinfonia de místicas brancuras,
Rosa rutilante, de puros esplendores,
Tu trazes nos teus bíblicos amores
A carne espiritual das virgens puras.

Vagas ilusões das delicadas formas,
Exalam dos teus lábios tal incenso;
Num delírio santo, puro, imenso,
Transcende as humanas leis e normas.

Acordes de um fado dolente e místico,
Soluçam na penumbra e das naves;
Subindo os teus salmos tão suaves,
Para o altar de um sonho cabalístico.

Tua graça de deusa, imaculada,
Fecunda a alma em dores e harmonias;
Nos seios níveos, em pranto e elegias,
Na pompa de uma luz agonizada.

Cândida rosa, essência inaudita,
Que no silêncio do infinito brilha!
Tu és um afago, musa e maravilha,
Que na agonia do meu verso habita.

Ah! Que os segredos destas flores santas
Perfumes fundam na alma alucinada!
E a noite estenda a túnica sagrada
Nas cordas de ouro das canções que cantas.

Em lírios brancos teu porvir expressa,
No altar do céu, em místico concerto;
E o meu soluço, na penumbra verto,
Clamando em cinza imortal promessa!



Um comentário:

  1. Um poema excelente. Gostei imenso.
    A Rosa deve ter gostado... O Lírio talvez não...
    Boa semana.
    Um abraço.

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