Repouso do Infinito
Em passos vãos, na trilha que não finda,
A alma vagou, tremendo ao imenso abraço
Do Cosmo mudo, onde a razão desvinda
A própria fresta de um perdido traço.
A vertigem de ver a luz tão inda,
E o tempo eterno num contínuo laço,
Foi o susto de ser, na voz ainda,
Um grão de poeira a flutuar no espaço.
Mas eis que o medo, enfim, se transfigura;
O abismo assustador vira acalanto,
Num sono doce de final ventura.
Cessa o tremor e todo o desencanto:
A consciência, livre da moldura,
Descansa em Deus, no infinito manto.
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