Vê-se na pele o mapa do passado,
Onde o cinzel do tempo fez ranhura,
A engrenagem do corpo, outrora dura,
Cede ao cansaço de um andar curvado.
Assiste à própria e lenta arquitetura
Desmoronar-se em vala de secura,
Num diagnóstico já sentenciado.
Não há revolta no pulsar cansado,
Apenas o relógio compassado
Que dita o fim da última jornada...
O olhar — espelho em baço degradado —
E o velho senta, só, sob o pálio,
Despindo a vida como quem larga o fálio,
Olhando o nada... e não temendo o nada.

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