sábado, 9 de maio de 2026

O Orvalho da Ausência

Restou do céu um choro represado,
Em cada nó de um galho que entristece,
A tarde, em cinza e mágoa, permanece
No brilho de um cristal dependurado.

São gotas — ou lembranças do passado? —
Que o vento, com cuidado, balança e tece,
Uma nostalgia antiga que aparece
No vulto de um jardim abandonado.

Cada esfera de luz guarda um segredo,
Na transparência baça d'agonia...
Um tempo que fugiu por entre os dedos,

E quando a gota cai, no chão perdida,
Leva consigo um pouco desta vida,
Que morre em cada fim de calmaria.



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