sábado, 9 de maio de 2026

O Orvalho da Ausência

Restou do céu um choro represado,
Em cada nó de um galho que entristece,
A tarde, em cinza e mágoa, permanece
No brilho de um cristal dependurado.

São gotas — ou lembranças do passado? —
Que o vento, com cuidado, balança e tece,
Uma nostalgia antiga que aparece
No vulto de um jardim abandonado.

Cada esfera de luz guarda um segredo,
Na transparência baça d'agonia...
Um tempo que fugiu por entre os dedos,

E quando a gota cai, no chão perdida,
Leva consigo um pouco desta vida,
Que morre em cada fim de calmaria.



6 comentários:

  1. Um poema muito bem ritmado e cheio de musicalidade.
    Boa semana.
    Juvenal Nunes

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  2. Olá, Antônio. Que delicado e lindo poema que nos faz refletir sobre o tempo que passa e com ele vai a tristeza. Abraços

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  3. Olá, Antônio
    Bom dia.
    Já sigo este seu blogue, no passado e também agora.
    Adoro a sua forma de escrever e procuro sempre
    deixar o meu comentário com toda a amizade.
    Gotas que vão engrossando à medida que o tempo
    passa e nos faz lembrar os bons amigos.
    "E quando a gota cai, no chão perdida,
    Leva consigo um pouco desta vida,
    Que morre em cada fim de calmaria."
    Grande abraço
    Olinda

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  4. Antonio,
    Já seguindo aqui deixo o
    convite a conhecer o meu Espelhando.
    Quanto a publicação, lindos versos
    muito bem pontuados por essa
    imagem sensacional.
    Abraço.
    CatiahôAlc.

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  5. Antônio, soneto de nos fazer repensar " O Orvalho da Ausência" existe imensa beleza em tudo o que se possa fazer sentir!
    Amei ler aqui e deixo sempre meus parabéns pelas suas sensibilidades!
    Abraços apertados!

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  6. Caro António;
    Vim conhecer o seu espaço e fiquei impressionado com a sua escrita.
    Gostei muito deste texto.
    Toca mundo, em nós.

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