sábado, 16 de maio de 2026

O Crepúsculo do Ancião

Vê-se na pele o mapa do passado,
Onde o cinzel do tempo fez ranhura,
A engrenagem do corpo, outrora dura,
Cede ao cansaço de um andar curvado.

Assiste à própria e lenta arquitetura
Desmoronar-se em vala de secura,
Num diagnóstico já sentenciado.
Não há revolta no pulsar cansado,

Apenas o relógio compassado
Que dita o fim da última jornada...
O olhar — espelho em baço degradado —

E o velho senta, só, sob o pálio,
Despindo a vida como quem larga o fálio,
Olhando o nada... e não temendo o nada.





6 comentários:

  1. Alegria em vê-lo de volta, meu amigo! Encanta-me a forma como as suas palavras revestem de beleza as emoções e verdades da alma e da vida! Meu abraço, boa semana.

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  2. Não conhecia o seu blog, mas gostei de o ter encontrado. Li alguns poemas e fiquei com a certeza de que é um bom poeta. Parabéns pelo talento que as suas palavras revelam.
    Boa semana.
    Um abraço.

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  3. A consciência da nossa finitude é um fardo tremendo, contra o qual nada podemos.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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  4. Não encontrei a palavra fálio em nenhum dicionário.
    Abraço amigo.
    Juvenal Nunes

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  5. Grande poema, amigo Antônio.
    Analisando o Crepúsculo do Ancião, aprendemos
    a pôr em nós as fraquezas que nos abalam no fim
    da vida.
    Abraços
    Olinda

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  6. Lindo poema, amigo Antônio, tens inspiração e suas palavras sempre tocam( não tem problema não existir no dicionário a palavra fálio) achaste para rimar e ficou lindo!
    Sempre gosto de ler seus escritos, sempre inteligentes e inspiradores, repletos de sentidos!
    Abraços apertados, sempre!

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