sábado, 25 de abril de 2026

Outono e Destino

As folhas, em seu fulvo matizado,
Vagueiam pela relva, em dispersão...
 Tal qual o sentimento abandonado
 Que busca o pálio da minha solidão.

No banco, sob o brumo do passado,
 Minh'alma escuta a nota da canção;
 O amor é como o pélago: agitado,
 Ou mudo vácuo a invadir o coração.

"C'est la vie", diz o vento na ramagem,
 Limpando a face em róscida lavagem,
 Enquanto a sorte brinca de esconder.

Quem sabe o que o destino nos reserva?
 Se a dor em nós se cala ou se preserva...
 Viver também é ver... a folha fenecer.



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